Cartas de Terras Insondáveis - Lembrança de Luminieva
Em Luminieva as ruas eram de verdes íngremes e pedras de cor, com longas casas penduradas e árvores que até o tempo esqueceu de quando eram semente. As ruas prestavam-se mais ao devaneio: a circulação dava-se de fato por estreitas pontes de lianas e sólidas passagens de cristal de rocha que esticavam-se entre esses compridos de madeira viva ou morta, habitados por gente, bichos e lilinanthes.
Os teatros eram de quartzo e via-se muito à distância. A música também era ouvida de longe e em cada ponto misturava-se harmonicamente a folhas, águas, ventos, passos, pássaros, pessoas, ronronares e lilinithos.
Lá só se falava por sussurros, palavras risonhas e melodias. Tagarelice, fofoca e gritos egocêntricos eventualmente eram ouvidos, com muita má-vontade, e sujeitos a multas em forma de longos silêncios, novas pontes e canções abstratas.

Leandra Lambert
Reader Comments (2)
Esse texto é maravilhoso...Quero visitar Luminieva. E quero mais cartas de Terras Insondáveis (este nome é ótimo). Você escreve muito, muito bem.
eu tb tô loooooooooooooooouca pra visitar esse lugar !!!!!!!!!!!! vou com vcs !!!!!!!!!!!!!!!! :))))))))))))))))))))) sim, sim, sim, vc escreve muitíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissimo bem :)))))))))))))))))))))))))))