Crítica ou cricri da crititica?
Quando critico algo ou alguém, não me excluo, não estou de fora. A autocrítica está sempre presente, cutucando. Óbvio, mas é muito comum que os críticos de plantão se coloquem por aí como seres superiores e a parte dos outros, do mundo, dos erros. São os cricris em ação - é, resgato este termo do tempo dos meus avós - cricris! Torna-se trivial que os pouco críticos confundam qualquer exercício de discernimento verbalizado com esse tipo de postura arrogante e um tanto estúpida.
Os cricris "percebem" e julgam todos os erros alheios e cacarejam suas sentenças ruidosamente onde houver possibilidade de conseguirem um pouco de atenção. Creem-se possuidores de fórmulas para solucionar as questões físicas, metafísicas, patafísicas, patalógicas e patológicas do universo - embora geralmente se atrapalhem de forma constrangedora na hora de expor suas teses.
Ao não enxergarem a si mesmos criam uma obscuridade tão densa ao redor, um véu tão tóxico, que só podem ver tudo e todos assim: sombrios, confusos, um horror. Crítica sem autocrítica é crititica - limpe-a bem do seu caminho para evitar sujeiras por aí.
Aproveito a ocasião para admitir diante de mim mesma e dos possíveis três ou onze leitores que errei todas as vezes em que respondi uma alfinetada com uma injeção e recebi de volta uma tentativa de lobotomia. Se algo na atitude do outro foi abusivo, convém ser econômico: basta reclamar apenas disso e estabelecer o limite e o respeito - que deveriam estar evidentes. Mas se não estão... é porque também houve falha ao delimitar, as fronteiras ficaram borradas e o cricri se sentiu todo no direito, todo certo.
É desnecessário, equivocado e uma grande perda de tempo e energia isso de "descascar" o sujeito abusado, intrometido, maledicente: ele que pague um terapeuta para tal, ora. Será melhor para ele, que terá um serviço mais adequado e não se sentirá agredido (como, no fundo, talvez desejasse); e será bem melhor para você, que não vai se desgastar nem adquirir o "karma negativo" da sua agressão. Tolice incentivar sadomasoquismo psicológico alheio se não lhe faz gosto entrar na brincadeira.
Quando um insiste em "ajudar" o outro com suas tão estimadas e teimosas "verdades e certezas", subestima o que pretendia ajudar, que se enraivece com motivo; os envolvidos acabam caindo em um embate de "egos e sombras". Cricri praca.
Até que se tocam, se enxergam e viram a página, o olhar. Deixam ir, na leveza profunda dos esquecimentos.
Quem aceita um chá sem porradas?

Leandra Lambert
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