"AI QUE LOUCURA!"
Eu aqui me divertindo com entrevistas e bruxas à solta, coisas "muito doidas".
Pra começar Lady GaGa: como imaginava, não tem nada de doida, é muito esperta, inteligente e articulada a mocinha, defensora de boas causas e me pareceu até simpática e sincera, cheguei a ter vontade de gostar. Mas não consegui ainda. Esse pop mainstream atual me dá mesmo nos nervos e não há "crítica à indústria das celebridades feita por celebridades" que aliviem o fato: meus ouvidos piram e acabou.
Aí vem o Ricardo Villalobos falar mal de programas e músicas feitas no computador - o que ele faz, sempre fez. Que eu saiba, ele ainda é o Ricardo, não virou o Heitor nem adquiriu hífen no sobrenome, mas tudo bem. Parte da onda muito doida dele é praticamente afirmar que as antigas baterias eletrônicas tinham "alma" e um som muito mais foda do que qualquer coisa que envolva um computador - como se as tais drum machines não fossem... computadorezinhos dedicados?

Já tive e usei várias, "peraí" que isso é viagem. Existem diferenças de sonoridade entre quaisquer equipamentos não-idênticos - óbvio - mas creio que a diferença maior está nos diferentes métodos envolvidos no uso de hardware ou software. A própria restrição de timbres e de possibilidades de uma bateria eletrônica pode eventualmente contribuir para que as PESSOAS que fazem música se esforcem mais para chegar a resultados mais criativos e a uma unidade mais "orgânica", mas não há nada de "essencialmente" melhor e mais "mágico". Isso me parece uma tentativa de afirmar que o cara com seu computador e seu software em casa nunca será tão bom quanto os "mestres" das velhas máquinas "mágicas". Isso é estimular fetiches como o das guitarras - só que guitarras têm componentes acústicos e artesanais que realmente mudam o som - ou a "alma", como alguns preferem. Fizeram uma análise hilária do discurso do cara. Trecho:
"And what exactly was in those vintage drum machines, if not a computer making calculations? Eleven secret herbs and spices? Elves with slide rules?
But this is the beauty of interviews – you can say crazy things. And it definitely beats boring.
There is also one statement with which I wholeheartedly agree:
People are finding it easy to publish something without any controls. And this is the problem with the internet in general. There is so much information, and no one knows if it’s true or not. It’s just there. It’s an information monster.
It’s almost as though the Internet is a place in which people can make any wild claim they wish, without anyone questioning its basis in reality or fact."
(texto completo Aqui)
Sim, isso acontece o tempo inteiro e nem sempre é engraçado, mas vamos rir, hahaha. E pelas fotos, as ervas e elfos talvez estejam rondando e rodando a mente do DJ bacana. Quando esteve aqui, boas e más línguas disseram que ele comia balinhas como uma criança gorducha.
A loucura por aí deve ter a ver com o Halloween chegando. Este livro pesquisa o uso de substâncias alucinógenas pelas bruxas medievais. Parece que essa de voar sobre cidades e florestas tem mais verdade do que se pensa. Hm, entendo. Interessante, já está na lista. Será que inclui receitas detalhadas?
E viva a meditação e os enteógenos. Para o resto, just say Moe.

Leandra Lambert
Reader Comments (5)
:D
Maravilhoso como sempre!!
sou mais a mini calculateur ! hehe nada de kaos pad nem nada, a parada e só o tecladinho casio. rs
e o pedal de efeitos by Leandra?
saudades
beijos
(o site tá lindão ein!)
Amigos! Obrigadas! :-)
Maria, legal levantar essa bola:, sim, dá pra fazer coisa muito legal com qualquer instrumentinho porcaria. Isso é ótimo, democrático. O problema é que isso também vira gimmick, fetiche, idealização e mistificação do lo-tech, um truque como qualquer outro; isso de "TEM QUE ser feito com instrumento vagaba" também não dá, não é legal. TEM QUE nunca é legal, dogmas são sempre muito caídos - e caôs.
Quanto ao Kaoss Pad: longe de ser um Kaôss Pad, ui - mesmo o meu sendo o primeiro modelo (o mais vagaba, já considerado antigo por essa gente afoita... hahaha), adoro: é amigo do improviso e da espontaneidade, sem paranóias pra mexer, facílimo de usar, ótima interface, sensorial, user friendly total.
beijos e saudades, mulher!
Ah, o pedal tá na gaveta, como todo o resto de circuit bending. Outras "funções" no momento!
E coração grande pro Alexandre. ;-*
A oposição entre lo-tech e hi-tech é falsa, tão sem sentido como aquelas discussões que colocam, em cantos opostos, high-brow e low-brow, alta e "baixa" costura, erudtito e pop, mainstream e undergound. Não existe isso.
Coração grande pra vocêzinha também, Lelê.
Isso, á tudo aí, "alto e baixo", misturado. Do mainstream pro underground ainda tem diferença de dinheiro a favor do primeiro e de qualidade a favor do segundo, mas... nem sempre também, que tem muita coisa ruim se justificando como underground!