Terça-feira
Mai042010

Um pouco de música por favor

Duas músicas, dois video-clipes que gostei. Além daqueles do Flaming Lips e do Sigur Rós com gente pelada, que são lindos, tem por aí. E Electric 6 que, com todo esculacho do mundo, debocha de forma hilária dos clichês e babaquices tão abundantes nesse universo. Se não conhece, informe-se! Hoje em dia isso é moleza. O resto é que é dureza, "calega"! Ah, sim... também gostei daquele polêmico clip/curta da MIA. Duro, mas necessário. Acorda, Branca de Neve!

 

 

Segunda-feira
Mai032010

A força dos precários

Procuro a força porque sem ela sucumbiria mais uma vez ao abismo - e haveria retorno mais uma vez? Nunca se sabe.

Nunca sabemos. Somos todos precários, não sabemos nos fazer entender, entendemos mal, confundimos compreender com prender, perdoar com tolerar o intolerável, dizer "não" com dizer "que se foda". Pouco conhecemos do que é "a medida", "o limite". Todo conhecimento é pela metade, quando não menos. Toda sabedoria é insuficiente e somos todos um tanto tolos - quem não percebe, mais tolo ainda.

Espantava-me com os que se faziam de fracos, coitados, vitimados, boas almas sofredoras ou divertidas e desencanadas. Espantosa mesmo a facilidade com que não precisavam de força - sucumbiram de fato algum dia?

Os que diziam "suavidade" após aplicar uma baita rasteira, os que falavam em "verdade" depois de (se/te/me) enganarem, os que proclamavam "desinteresse" cobrindo uma lista de grandes carências devoradoras e ambições frustradas.  Os que tanto falam "amor" com ódio recolhido, espumando ali, no cantinho escuro, que vemos quando temos a coragem de tirar os óculos de rosas perfurmadas do focinho. Todos os pequenos monstros se contorcendo. Isso não me espanta mais.

Gosto dos que não escondem esqueletos sob flores e fofuras e discursos criativamente elaborados para livrarem a própria cara. Gosto dos esqueletos que dão a caveira a tapa. Toda caveira é feia e está mesmo rindo da sua cara, meu amigo - seja lá quem for você. Gosto dos que odeiam com todas as palavras e palavrões - não dos que exercem seus papéis de bonzinhos e fazem a caveira dos outros pelas costas, como boas "vítimas". Coitados.

Gosto dos fortes - porque sabem de fato sucumbir. Porque sabem que, com certas coisas, não se brinca - existem algozes e vítimas reais, colega. Alguns morrem ou sofrem agora mesmo nas mãos de outros. Isso não é retórica. Não é brincadeira ou papel a (des)encarnar em letras imateriais. Isso é feito de sangue, nervos, desespero, fim.

Gosto dos que sabem na carne e na vida da dor, do abismo, da morte.

Esses, posso querer por perto.

Há uns vinte anos, escrevi:

EU NÃO ESCREVO, EU SOBREVIVO.

Pois é.

Segunda-feira
Mai032010

Mandando Notícias

Rapidinho, um resumo do que está rolando:

Via Sedativo.

(direto para o post)

 

Terça-feira
Abr272010

TEMPO-MATÉRIA no MAC

Lançamento do catálogo dessa ótima exposição no MAC. Mesa redonda - e ação artística da Leila Danziger, que tem um trabalho lindo. (palavra de fã e orientanda!)

Quarta-feira
Mar312010

BR.ADA +!

O ótimo blog do coletivo de mulheres-pesquisadoras-artistas-incríveis está dedicando posts a cada um dos selecionados para a mostra coletiva no site Blanktape. O Dziga tá lá, logo após o excelente trabalho da Tânia Gonzaga.

Aliás, as outras duas expos no arquivo do Blanktape também são muito boas.

http://br4d4.wordpress.com/

E link pro Blanktape no post abaixo.

Segunda-feira
Mar292010

ADA Lovelace>BR.ADA>blanktape

Sexta-feira
Mar262010

A favor do contra - ou não!

Um hábito me acompanha desde a infância: implicar com unanimidades, perguntar "por que?" até irritar o outro, ser do contra só pra ver até onde o outro está disposto a ir, que argumentos e discursos inflamados serão derramados, até onde a história vai. Espírito de porco? Não é nada disso: eu mesma não tenho certeza de nada e quero conferir se outro tem. Se tiver, espero que seja balançado - ou não. Quero ver se eu mudo de idéia, se o outro muda, se todos mudam. A vontade é apenas de ver, ouvir e me divertir com certezas abaladas, unanimidades questionadas, argumentos hilários ou precisos e preciosos. Para tal, já falei mal de bandas que eu amava em mesas de bar, já incensei antipáticos polêmicos e detonei simpáticos amáveis, já disse que algo que eu achava chatíssimo era muito melhor que outra coisa (que eu também nem gostava, ok)... e por aí vai.

Já fiz isso inclusive aqui nesse blog. Devido a uma aula divertidíssima no mestrado outro dia, lembrei especificamente de uma das minhas "mentirinhas provocativas", em que eu dizia estar de saco cheio de papo de jovem-guarda e que a bossa-nova era melhor. Bem, a verdade é que sempre achei essas duas vertentes da música brasileira de outrora, a  "chique" (?) e a "cafona" (?), em geral, chatas pracaralho. Questão de gosto, "de estômago", diria Nietzsche. Acho as duas muito levinhas, chatinhas, diminutivazinhas, e é um tal de barquinho pra cá, pato pra lá, e calhambeque bibi, e sabiá... ih, nada disso aí é comigo.

Não acho a bossa-nova melhor por ser refinada. Claro que há belas músicas (especialmente Tom Jobim), tem o humor do João Donato, e por aí vai; mas em geral aquele papinho Ipanema idílica elitista me cansa, e o violão blemblem me irrita e quero mais que o pato e o sabiá peguem um barquinho lá pra casa do caralho.

Mas assim como nos anos 90 e início dos 00s havia pencas de modernos clamando influências da bossa-nova, agora há pencas de modernos  "resgatando" a jovem-guarda. O que torna a jovem-guarda uma espécie de nova bossa-nova, paradoxalmente. Tá, teve gente fazendo coisa boa e divertida com isso - a Karine Alexandrino por exemplo - mas, putaquepariu, em geral já deu no saco. É, estou desbocada - acho palavrão lindo, desopila que é uma beleza. Há muitos anos faço a defesa poética do palavrão espontâneo, sem ser forçado "pra chocar", o palavrão honesto, alegre, necessário.

O que me incomoda na jovem-guarda não é a suposta cafonice, a tentativa de ser rock, o fato de ser popular e rejeitada pelas elites - ao contrário, isso tudo me agrada. O que me incomoda é que, pro meu gosto, foi comportada demais, pegou leve demais. Eu queria mais, será que não podia ser mais... maldita? Não foi, ok, foi o que foi. Assim, no pretérito, PASSADO, FOI. Aí está a questão: para que este eterno "resgate"? Parece que há um medo geral de tudo o que não chega com sua carta de referências históricas, filiações explícitas, releituras bem explicadas, raízes claramente fincadas no passado, com reverência. Como se tivessem medo de que nosso passado cultural pode ser roubado a qualquer instante. Trauma da ditadura?

O problema é que, com isso, ficam sequestrando o futuro e embolorando o presente.

 

Quarta-feira
Fev032010

20 coisas que acontecem em 1 minuto

Quarta-feira
Jan272010

Mais algumas questões


É feito de sons polimórficos? De imagens polifônicas?
De carne desmaterializada em palavras? Cores encarnadas? Habita fora da casinha? Tem sentido? Muito?

Quarta-feira
Jan062010

Por uma década realmente nova

Torpedo recebido da amiga Thaís no dia 31-12-2009:

"Toda alma é uma melodia que convém renovar" (Mallarmé)

É isso. Que seja assim 2010, de almas sonoras e renovadas.